domingo, 5 de dezembro de 2010

Sem listas

Ano passado esqueci de uma das tradições do Ano-Novo: fazer aquelas listas de metas para o ano que chega. Foi o maior acerto. Porque assim, 2010 me surpreendeu.
Primeiro com uma viagem. Dizem que a maior descoberta que a gente faz numa viagem é conhecer a si mesmo. E é verdade. Descobri que gosto de museus até cansar. Que a Torre Eiffel é mais bonita se vista do alto do Arco do Triunfo. Que em Londres as pessoas passam mais tempo nos túneis do metrô do que caminhando na superfície. Que malas de rodinha não combinam com as ruas de Roma. Que ruas estreitas e escuras podem ser charmosas como em Barcelona e que Pastéis de Belém é o melhor doce do mundo. E que os amigos tem um poder mágico de iluminar nosso olhar e nosso sorriso.
2010 me ensinou que nada substitui a família da gente. E que cada minuto deve ser vivido como se fosse o último. Me mostrou que um abraço pode ajudar a levantar na hora mais triste.
2010 ajudou a cicatrizar feridas. Me levou a conhecer um mundo novo e saboroso entre panelas e taças de champagne. Me apresentou pessoas novas e criativas e que vivem a vida de uma maneira bem mais leve que a minha.
Este ano também trouxe descobertas profissionais e me proporcionou viver uma das histórias mais tristes e bonitas da minha vida como repórter. Me levou ao Rio e me mostrou que a gente sempre pode mais do que acha realmente pode.
E num caderno vermelho de bolso, 2010 me mostrou que posso ser mais hábil com as palavras, me encorajou a colocar no papel o que antes ficava restrito ao pensamento. E 2010, em conluio com o Destino, me mostrou com ser feliz.
Fazendo uma lista assim, rápida e dos principais momentos desse ano, eu chego a conclusão: quando, no mais criativo dos momentos regados a champagne da noite de 31 de dezembro de 2009 eu poderia imaginar um 2010 assim? Acho que a minha imaginação não chegaria a tanto.
E por isso eu decidi. Sem listas nesse Réveillon. Que 2011 se encarregue das surpresas!

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