Sabe quando tu vem dirigindo na estrada e, do nada, surge um carro na pista do teu lado. Um carro que minutos atrás não estava ali. Tu sequer tinha ouvido o som do motor dele, ou notado a sua sombra ou faróis. Estava no ponto cego.
Aconteceu comigo outro dia. Eu andava na estrada, indo de casa para o trabalho, bem bela a contente, quando ouço uma buzina alta e contínua. Olhei pelo retrovisor, pelos espelhos laterais, e nada do tal carro. E a buzina continuava. Parecia que o motorista apertava mais forte a buzina que o acelerador do carro invisível.
De repente, levei meu carro para a esquerda, e vi surgir aquele carro. Parecia um Gol, daqueles da primeira geração. O motorista, brabo que só ele, reinava na direção. E furioso, ele sumiu, acelerando mais ainda.
Fiquei me questionando, porque as montadoras fazem carros com pontos cegos. Porque não vemos coisas tão óbvias e grandes quanto um carro que trafega quase ao nosso lado. Pelo menos, inventaram a buzina. Já não vejo, pelo menos posso ouvir.
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