quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ponto cego

Sabe quando tu vem dirigindo na estrada e, do nada, surge um carro na pista do teu lado. Um carro que minutos atrás não estava ali. Tu sequer tinha ouvido o som do motor dele, ou notado a sua sombra ou faróis. Estava no ponto cego.
Aconteceu comigo outro dia. Eu andava na estrada, indo de casa para o trabalho, bem bela a contente, quando ouço uma buzina alta e contínua. Olhei pelo retrovisor, pelos espelhos laterais, e nada do tal carro. E a buzina continuava. Parecia que o motorista apertava mais forte a buzina que o acelerador do carro invisível.
De repente, levei meu carro para a esquerda, e vi surgir aquele carro. Parecia um Gol, daqueles da primeira geração. O motorista, brabo que só ele, reinava na direção. E furioso, ele sumiu, acelerando mais ainda.
Fiquei me questionando, porque as montadoras fazem carros com pontos cegos. Porque não vemos coisas tão óbvias e grandes quanto um carro que trafega quase ao nosso lado. Pelo menos, inventaram a buzina. Já não vejo, pelo menos posso ouvir.

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