domingo, 7 de novembro de 2010

Chopp e lágrimas

Quanto tempo e qual distância separa os amigos? Sou da opinião que nenhuma. Sábado encontrei, sentada em uma mesa da bar na Cidade Baixa, uma amiga que não via desde março. No mesmo instante em que me aproximei da Jana, era como se a gente tivesse saído para tomar um café ontem.
A Jana mora longe, em Floripa. Desde março, quando voltou de Lisboa. A última vez que sentamos para conversar, para olhar uma nos olhos da outra e enxergar as feridas e alegrias de cada uma foi em Portugal, no início do ano. Mas na mesa daquele bar da Cidade Baixa parecia que tinha sido a cinco minutos.
A Jana tem o famoso "abraço quebra-costela". Só a gente abraça as amigas assim. Com força e o mesmo tempo com tanto carinho. E quem vê a Jana, pequenina, magrinha, não imagina que ela possa ser capaz de um abraço tão caloroso.
Entre um chopp e outro colocamos as fofocas em dia, como se a gente não se falasse por e-mail todos os dias. Olhar os amigos no olhos, segurar as mãos, ver que estão tristes ou felizes são outros 500. A Jana está sentindo falta da família e dos amigos. Ela não precisou dizer. Deu pra ver no fundo os olhos que se encheram de lágrimas quando eu e a Denise começamos a recordá-las das coisas que se passaram conosco em Roma e Lisboa. A Jana continua a mesma.
E depois de ver essa amiga, tão forte e tão corajosa, que me aconselha como se fosse uma irmã mais velha, fiquei com pena de que tenham sido tão poucas horas ao lado dela naquela mesma cerca de bolinhos e copos vazios. Foram poucas, mas intensas. A Jana faz muita falta. Mas um dia ela volta pra cá. Vai desfilar na Redenção com as saias longas, num estilo hippie, vai embalar o bebê da Deia e o da Gi. Vai dar gargalhadas com a Denise das piadas do Diego e vai chorar comigo. Pra compensar as lágrimas que deixei lá naquela mesa de bar.

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