quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Do céu alaranjado

Nem todo mundo dá o devido valor a um pôr-do-sol. Acho que só quem dá valor é quem não pode vê-lo. Não, não estou falando das pessoas que não enxergam, mas sim das que são privadas deste espetáculo da natureza.
Gente que trabalha em lugares fechados ou sem janelas e que não pode assistir a lenta e gradual mudança de cores no céu. Me dei conta disso outro dia. Na sala de aula, entre 19h30min e 20h30min. Graças ao horário de verão.
Das grandes janelas dava para ver todas as tonalidades do céu. O vermelho, o alaranjado, o esverdeado e o azul que toma conta a cada minuto, como que cobrindo o sol com um lençol frio.
Tenho inveja de quem sai cedo do trabalho e aproveita os benefícios desse horário que começa em Outubro e termina em Fevereiro. Mais tempo para caminhar no sol sem suar as pencas. Mais tempo para sentar num café e apreciar a leve brisa que teima em despentear as mulheres. Mais tempo para jogar bola com os filho no quintal de casa sem atrasar a hora do tema e da janta.
É disso que sinto falta. Dessas horas de convívio. Talvez sinta mais falta das pessoas.
E é uma falta passageira que se vai quando o dia ganha uma hora a mais e as pessoas reclamam em voltar para o horário que tanto gostam. Pôr-do-sol e horário de verão só tem valor para quem não tem.

Um comentário:

  1. E assim é com tanta coisa, não é?
    É quando não temos os amigos que sentimos o quanto os amamos e precisamos deles, é quando não podemos comer doce que percebemos o quanto esse ato simples nos faz feliz, e por aí vai...
    Segredo da vida? Aproveitar cada momento da melhor forma, para passar imune à falta que eles nos fazem!

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